18.2.13

No tempo em que éramos felizes não chovia



no tempo em que éramos felizes não chovia.
levantávamo-nos juntos, abraçados ao sol.
as manhãs eram um céu infinito. o nosso amor
era as manhãs. no tempo em que éramos felizes
o horizonte tocava-se com a ponta dos dedos.
as marés traziam o fim de tarde e não víamos
mais do que o olhar um do outro. brincávamos
e éramos crianças felizes. às vezes ainda
te espero como te esperava quando chegavas
com o uniforme lindo da tua inocência. há muito
tempo que te espero. há muito tempo que não vens.


PEIXOTO, José Luís. A Criança em Ruínas. Lisboa: Quetzal, 2012.


Um comentário:

Expedito G Dias (BLOG DE POESIAS DO PROFEX) disse...

É verdade. Quando amamos acontece o brilho do sol. Acontece o impossível, o inesperado...
Abraços!