6.5.16

Alexandrino



A tua mão sobre meus olhos, acordei,
A luz que vi era dia entre os dedos teus.
Cerradas pálpebras cobriam os camafeus
Que, cor-de-mel, fazem de mim fora-da-lei.

Toquei-te a palma com os lábios e gozei
Sonial carícia sobre a pele, Grego Deus!
Os laços grenhos pelos nossos himeneus,
Cada voluta memorando um de nós rei.

E tanto verso naquele enlevo de truz,
Beijei nos olhos, testa, lábios, em cruz,
Quantas falanges, hoste alegre, pude ver.

Mas nada mais marcou aquele alvorecer,
Que teu suspiro, olhar lançando que seduz.
Então que eu vi: minha vida é tua, oh Luz.


ATHAYDE, Públio. Sonetos para ser entendido. Belo Horizonte: Keimelion, 2009.

2 comentários:

Públio disse...

Obrigado por gostar de meu soneto!

Arthur Nogueira disse...

muito! prazer ter você aqui!