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6.3.12

Hoje



Faz
tempo, hoje

defronte
desse apartamento
da Strozzigasse,
ontem, ante-
outono, neves,

eles
ainda se beijando
atrás de corações
embaciados
na janela.

Eles, nós.


CARVALHO, Age de. Trans. São Paulo: Cosac Naify, 2011.

23.2.11

Desenterro os ossos pensando reconstruir-me



Desenterro os ossos pensando reconstruir-me
na manhã próxima que pousará absurda nesta praia
à margem do mundo.
.....................................Tudo
se dá sob os reinos da invenção: morro
hoje, nunca concluído (uma escultura na areia),
sem ruído;
.....................................amanhã,
como a milhares de anos, estarei vivo
(os cabelos num novo incêndio, o corpo
inconsútil no espaço)
e, recomeçado,
.........................serei inacabado e breve.



CARVALHO, Age de. Seleta. Belém: Paka-tatu, 2003.

8.12.09

9


9


O dia afogou-se no mar,
desesperado.

Ao mesmo tempo,
uma tristeza pânica pisou a planície do meu peito.



CARVALHO, Age de. Seleta. Belém: Paka-tatu, 2003.