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28.11.12

Vivendo sob o fogo (3)



p. 623-624


Só vivo plenamente em meus poemas - não com as pessoas, e menos ainda (por mais estranho que possa parecer) com as que amo - estar e viver. Os amigos não sofrem por nossa causa, podemos dizer a eles toda a verdade, sem ter medo de atingir a carne viva. Eu queria você não apenas como um filho, não apenas como meu amado, mas ainda - como meu amigo: meu igual. É tempo, porém, de compreender que não devemos querer nada para nós próprios, nem mesmo sentir alegria pela plenitude de alguém, pois seria também amor por si próprio ("seu próximo - como você mesmo" - não: seu próximo - como ele mesmo); é tempo de admitir que o amor é o único e definitivo "não-ser" que temos nesta vida: não seja, senão obrigará outra pessoa a ser - "você a impedirá de viver" (de não-ser).


TSVETÁIEVA, Marina. Vivendo sob o fogo: confissões. São Paulo: Martins, 2008.


2.3.12

Poesia da recusa (2)



Abro as veias: irreprimível,
Irrecuperável, a vida vaza.
Ponham embaixo vasos e vasilhas!
Todas as vasilhas serão rasas,
Parcos os vasos.

______Pelas bordas - à margem -
Para os veios negros da terra vazia,
Nutriz da vida, irrecuperável,
Irreprimível, vaza a poesia.


TSVETÁIEVA, M. Abro as veias. In: CAMPOS, A. Poesia da recusa. São Paulo: Perspectiva, 2006.


1.2.12

Vivendo sob o fogo (2)



A criação lírica nutre os sentimentos perigosos, mas apazigua os gestos. Um poeta é perigoso somente quando não escreve.


TSVETÁIEVA, M. Vivendo sob o fogo: confissões. São Paulo: Martins, 2008.


16.1.12

Vivendo sob o fogo (1)



P. 304


O que não foi nomeado – não existe no mundo. O erro de Serioja foi o de querer certezas e, querendo isso, cerrar as minhas pálpebras, minha vida – o que ela é (uma realidade repugnante, além de uma desordem familiar). Eu, que nunca havia traído a mim mesma, tornei-me traidora para ele.


**


O direito ao segredo. É preciso respeitá-lo. Sobretudo quando se sabe que o segredo é uma necessidade nata, que nasceu com o outro, que é a respiração do outro. Os nomes nada têm a ver, aqui. Seja sábio, não dê nomes (não pergunte).


TSVETÁIEVA, M. Vivendo sob o fogo: confissões. São Paulo: Martins, 2008.