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4.6.19
cisne
Humanizar o cisne
é violentá-lo. Mas
também quem nos dirá
o arisco esplendor
— a presença do cisne?
Como dizê-lo? Densa
a palavra fere
o branco
expulsa a presença e — humana —
é esplendor memória
e sangue.
E
resta
não o cisne: a
palavra
— a palavra mesmo
cisne.
In FONTELA, Orides. Poesia completa. São Paulo: Hedra, 2015.
26.5.19
alba
I
Entra furtivamente
a luz
surpreende o sonho inda imerso
na carne.
II
Abrir os olhos.
Abri-los
como da primeira vez
— e a primeira vez
é sempre.
III
Toque
de um raio breve
e a violência das imagens
no tempo.
IV
Branco
sinal oferto
e a resposta do
sangue:
AGORA!
In FONTELA, Orides. Poesia completa. São Paulo: Hedra, 2015.
2.5.18
mão única
— é proibido
voltar atrás
e chorar.
In FONTELA, Orides. Poesia completa. São Paulo: Hedra, 2015.
26.4.18
Kant (relido)
Duas coisas admiro: a dura lei
cobrindo-me
e o estrelado céu
dentro de mim.
In FONTELA, Orides. Poesia completa. São Paulo: Hedra, 2015.
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