Mostrando postagens com marcador sophia de mello breyner andresen. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sophia de mello breyner andresen. Mostrar todas as postagens

23.9.15

Terror de te amar



Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.


ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. Terror de te amar. In: PEDROSA, Inês. (org.). Poemas de amor. Lisboa: Dom Quixote, 2005.



18.4.14

Tempo de não



Exausta fujo as arenas do puro intolerável
Os deuses da destruição sentaram-se ao meu lado
A cidade onde habito é rica de desastres
Embora exista a praia lisa que sonhei


ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. Mar. Lisboa: Editorial Caminho, 2008.


20.2.13

Pirata



Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.

A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.


ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. Mar. Lisboa: Editorial Caminho, 2008.


14.12.12

Inicial



O mar azul e branco e as luzidias
Pedras - O arfado espaço
Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo
Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida


ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. Dual. Lisboa: Editorial Caminho, 2010.