8.8.12

Água-forte



À beira de você, toda a paisagem
se resume a isto: nenhuma urgência

que seu rosto brilhe, mas ele arde
como se quisesse compensar em luz

o seu silêncio. Gastaria a vida assim,
à orla do céu que reflete

na água quieta que rola no intervalo
entre nós. Demoro-me aqui,

à roda desse engano,
dessa infinitamente triste alegria.

E quanto mais me sinto afogar,
mais permaneço,

se o amador a nadar para fora
prefere morrer na coisa amada.


FERRAZ, Eucanaã. Cinemateca. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.


Um comentário:

Antonio Anderson disse...

Amor que encontra e leva à perdição, adocica e envenena, cura e mata.
Adoro e ler e me identificar com tudo aqui...