29.12.16

Nec spe nec metu



29 de dezembro de 2016, meu gato não se importa, mas pela primeira vez tenho um prazo curto e bem estabelecido para compor todas as canções de um disco novo. Nec spe nec metu / sem esperança nem medo: rascunhos no celular, no caderno e na cabeça, intenções melódicas, letras-monstro, versos de um parceiro que chegam por WhatsApp, uma melodia que vai para outro por e-mail, um poema que ganhei na cabeceira, telefonemas, Rhythm Composer, caminhadas pelo bairro, espantos, encontros reais ou virtuais com gente que admiro. A melhor fase sempre é a mais trabalhosa, por vezes angustiante, mas cada ponto final dá uma sensação de prazer sem a qual é mais difícil viver.

20.12.16

Treaty






Ah, they're dancing in the street — it's Jubilee


11.12.16

A morte de Clarice Lispector



Enquanto te enterravam no cemitério judeu
do Caju
(e o clarão de teu olhar soterrado
resistindo ainda)
o táxi corria comigo à borda da Lagoa
na direção de Botafogo
as pedras e as nuvens e as árvores
no vento
mostravam alegremente
que não dependem de nós


GULLAR, Ferreira. Na vertigem do dia. In: _____. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2015.