11.7.09

felipe cordeiro - banquete

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Recomendo a todos que leiam a matéria sobre o novo CD do Felipe Cordeiro, "Banquete", publicada no site Guiart. O disco foi lançado em maio, pelo selo Ná Records. Eu c
anto na terceira faixa, que se chama "Desfigurado". Felipe é o diretor musical do meu CD, "Mundano", e um parceiro para a vida inteira. Recomendo enfaticamente que conheçam o belo trabalho dele. O texto é da Ana Clara Matos.

Leia a matéria aqui.


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6.7.09

onde será que você está agora?

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sinto cheiro de mar
do mar que não há nessa cidade


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narinas e olhos adentro (5)

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Segue até a avenida à beira-mar, saúda sem resposta os operários encostados num tapume, e afunda na areia os pés cheios de bolhas. Molha as canelas e procura avistar as ilhas negras, invisíveis no quadro-negro do oceano e céu fundidos. Mas quem já fixou a vista ou a memória na escuridão absoluta sabe que, pouco a pouco, sempre se revelam aqui e ali contornos de um negror ainda mais profundo. E se não tivesse as pernas bambas e o peito arfante, Benjamin se arriscaria a nadar até as ilhas que não sabe ao certo se enxerga ou recorda.


BUARQUE, Chico. Benjamin. São Paulo: Companhia das letras, 2004.

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27.6.09

narinas e olhos adentro (4)

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ECO



A pele salgada daquele surfista
parece doce de leite condensado.
Como seu olhar, o mar é narcisista
e, na vista de um, o outro é espelhado.

E embora, quando ele dança sobre as cristas,
goste de atrair olhares extraviados
de banhistas distraídos ou artistas,
é claro que o mar é seu único amado.

Ei-lo molhado em pé na areia: folgado,
ao pôr-do-sol tem de um lado a prancha em riste
E do outro usa uma gata e um brinco e assiste

serenamente o horizonte inflamado
e a brisa o alisa e ele enfim não resiste
à beleza e diz “sinistro!” e ouve eco ao lado.



CICERO, Antonio. Guardar. Rio de Janeiro: Record, 1996.

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26.6.09

narinas e olhos adentro (3)

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O SURFISTA



pelo mar
do Arpoador
o surfista
flana
sobre a prancha plana
pleno devagar

entre a água salgada
e a areia
ele vaga
bundeia

onda após onda
o tempo passa
ele passeia

rasga a vaga
desde a crista
onde sinistra
a espuma espraia
seu prazer
e ele desliza
à contrabrisa
e então vaza



CALCANHOTTO, Adriana. Algumas letras. Vila Nova de Famalicão: Quasi, 2003.

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23.6.09

narinas e olhos adentro (2)

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GRUMARI



Entra mar adentro
Deixa o marulho das ondas lhe envolver
Até apagar o blablablá humano.

Maré que puxa com força, hoje.
É a lua cheia, talvez...

As retinas correm a cadeia de montanhas que circunda a praia.




SALOMÃO, Waly. Pescados Vivos. Rio de Janeiro: Rocco, 2004.


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21.6.09

narinas e olhos adentro (1)

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EMERGÊNCIA


Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.



QUINTANA, Mário. 80 anos de poesia. 9ª ed. São Paulo: Globo, 1998.


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