10.6.13

Se ouve ainda o mar



Há muitas noites se ouve ainda o mar,
em ligeiro vaivém, pelas areias finas.
Eco de uma voz fechada no pensamento
que provém de tempos; e também este
lamento assíduo das gaivotas: talvez
de pássaros das torres, que o abril
instiga em direção à planície. Já
me estavas vizinha com aquela voz;
e eu gostaria que também a ti chegasse,
agora, meu, um eco de memória,
semelhante a esse murmúrio de mar.


QUASIMODO, Salvatore. Poesias escolhidas. Rio de Janeiro: Editora Delta, 1968. Tradução de Sílvio Castro.


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